Domingo , 17 de Julho DE 2011

Para a geração dos 30

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.

"Quem? ", perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer!

Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música:
"Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração : O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira.
Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:
Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.

Confesso, senti-me velho...

Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa
fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo "Moleculum infanticus", que não existiam antigamente.

No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de "terno" nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
E ainda nos chamavam geração "rasca"...
Nós éramos mais a geração "à rasca", isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na
universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.

Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.

É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.
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05/09/2007
Artigo de Nuno Markl
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LauraBM às 00:27
Sábado , 10 de Julho DE 2010

Desaposentados

Ele chegou à praça com uma marreta, endireitou a estaca de uma muda de árvore e a firmou batendo com a marreta, amarrou a muda na estaca e se afastou com a marreta para olhar uma obra de arte.

Não resisti a puxar conversa:
  - O senhor é da prefeitura?
  - Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
  - Ah... O senhor quem plantou essa muda?
  - Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram  essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí, olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.
  - Então o senhor gosta de plantas.
  - De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
  - Obrigado pela parte que me cabe.
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
  - O senhor é aposentado?
  - Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
  - Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria. Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É, aí fica com a loja torrando no sol.
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
  - É bom pra terra, tudo que sai da terra deve voltar pra terra. Mas então.
Eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo no boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Engordando...Até que acabam com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
  Cortou umas flores, fez um ramalhete:
  - Pra minha menina - a Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor.

Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os  restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital.

Ih, a Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
  -  Prá aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui na prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo bebe água e deixa vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuido. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
  Sorriu, olhando a praça.
  - Aí falei: então posso cuidar da praça mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho  autorização pra cuidar da praça. Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça... Ou antes que me fizessem encher formulário em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei.

Ta vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
  - Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
  - Eu também não sabia, filho. Ih, aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada
planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!
  - Mas ela vai demorar pra dar pinhões, heim? falei olhando a pinheirinha, ainda da nossa altura, mas ele disse que não tem pressa.
  - Nossa neta também é criança e eu já falei pra ela que é  ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber, né... e a Alice  falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar.
Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí.
Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...
  Falei que é admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança, e ele riu:
   - Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora dá licença que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!
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Trecho de autoria de Domingos Pellegrini, publicado na GAZETA DO POVO, de 22/05/05

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LauraBM às 23:43
Sexta-feira , 10 de Julho DE 2009

Um Juiz Nota Dez

juiz_dormirchao.jpgOdilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados.
Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta.
Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. 'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'

Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.
Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.
Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas.
Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. 'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.'
No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado.
Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.'
É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal.
O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande.
O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.'

Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso.
Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.

Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança.'

ESTE MERECE NOSSOS APLAUSOS!
POR ACASO A MÍDIA NOTICIOU ESSA BRAVURA QUE O BRASIL PRECISA SABER?

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LauraBM às 17:08
Quinta-feira , 10 de Julho DE 2008

Vc tem Experiência??

Num processo de selecção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: "Você tem experiência?"
A redacção abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele, com certeza, será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA:
"Já fiz cosquinha na minha irmã só para ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés para fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a
barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado para tentar pegar estrelas, já subi em árvore para roubar fruta, já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa para sempre, e voltei no outro instante.
Já corri para não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não
encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"
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13/04/2005
Texto recebido via Internet, s/autoria

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LauraBM às 22:27
Segunda-feira , 09 de Julho DE 2007

Carta de um caloteiro

homem_maofind.jpgSegue carta engraçada de um devedor, muito cara-de-pau, publicada na Folha.
Esta carta é verídica e foi divulgada pelo próprio Clube de Dirigentes Lojistas.
A correspondência abaixo foi enviada por um devedor a uma das várias lojas credoras, conforme ele mesmo informa na sua correspondência:

"Prezados Senhores,

Esta é a oitava carta jurídica de cobrança que recebo de V.Sas...
Sei que não estou em dia com meus pagamentos. Acontece que eu estou devendo também em outras lojas e todas esperam que eu lhe pague.
Contudo, meus rendimentos mensais só permitem que eu pague duas prestações no fim de cada mês. As outras, ficam para o mês seguinte..
Estou ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere não pagar esta ou aquela empresa em detrimento das demais.

Ocorre o seguinte.... Todo mês, quando recebo meu salário, escrevo o nome dos meus credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco dentro duma caixinha. Depois, olhando para o outro lado, retiro dois papéis, que são os dois ´sortudos´ que irão receber o meu rico dinheirinho. Os outros, paciência. Ficam para o mês seguinte.

Firmo aos senhores, com toda certeza, que sua empresa tem constado todos os meses na minha caixinha... Se não os paguei ainda, é porque os senhores estão com pouca sorte.

Finalmente, faço-lhes uma advertência:
Se os senhores continuarem com essa mania de me enviar cartas de cobrança ameaçadoras e insolentes, como a última que recebi, serei obrigado a excluir o nome de V.Sas. dos meus sorteios mensais.
Sem mais, obrigado."
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26/02/2006
artigo recebido via Internet s/autoria

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LauraBM às 00:51
Segunda-feira , 10 de Julho DE 2006

O Vendedor de Pérolas

estante_mini.gifO Jorge, há quase dez anos, todos os dias, pega o trem em Anchieta, na baixada fluminense e, depois de uma longa viagem, espalha  livros e revistas entre uma árvore e uma caixa colectora de lixo, na porta da Igreja da Santíssima Trindade, aqui no Flamengo. São doações dos moradores que, através da livraria improvisada, reciclam suas bibliotecas. Chegou por aqui, à primeira vez, vendendo balas, ganhou uns livros do pessoal da reciclagem da Igreja e foi ficando.  Educado, sensível, sempre preocupado com a família, sonhando com um futuro melhor para os filhos.
Sabe essas pessoas que batem no coração da gente e ficam? Assim foi com o Jorge e sua família.   Sempre dou uma paradinha no caminho do trabalho para trocar dois dedos de prosa com ele. Às vezes, ele está tão em crise que fico um tempo conversando, tentando reanimá-lo.  Ora é o rapa que leva os livros, ora é a escassez de doações, ora é a doença da mulher que não sabe se vai ter cura (ela fez uma cirurgia muito delicada e não ficou sarada.).  Às vezes, fica triste por razões dos outros e me conta histórias de pessoas que apanharam no trem, de situações piores que a dele. as, também falamos de coisas alegres, mais positivas. Ideias de como transformar nossos desejos de ajudar os outros em práticas.  Outro dia, contou que está conversando com amigos da vizinhança onde mora para organizar uma espécie de escolinha de futebol no bairro, que é  treinador de um time de futebol infantil e que leva as crianças para jogar com outros times.
A venda dos livros dá algum dinheiro, mas, além das passagens de casa até a “livraria”, ele paga mais de R$ 250,00 de aluguer.
Outro dia, fomos até a casa dele, em Anchieta.   Uma casa triste pelas carências,  mas, que guarda uma sensação de carinho e amor, pela convivência da família.   Sempre ajudo com alguma coisa:  material escolar (são duas crianças, uma de seis, outro de 12), roupa, alguma comida, brinquedos, remédios e, principalmente, afeito e estímulo pra que eles não desanimem e construam alguma coisa mais sólida prós filhos.    
Bem,  essa história é comum a milhões de pessoas por ai. Diferentes histórias, mas com as mesmas raízes.  No entanto, essa me tocou mais de perto: pela persistência, pela sensibilidade,  pela utilidade dos produtos que vende, mesmo sem consciência disso.  Ele vende ostras sem saber o que é uma pérola. Livros que custariam muito mais, em um antiquário da cidade, ele vende a preço de banana de final de feira.                  
Essa história, tão real, tão próxima, me provocava um desejo de fazer alguma coisa, de ajudar de alguma forma.
Foi aí que nasceu a ideia de ajudar a família do Jorge a ter uma casa, revendendo os livros que ele me vende ou os que recebo em doações e destinando o produto da venda para este fim.
Lembrei de quando eu era criança e meu pai reformava a casa onde morávamos. Quando chegavam tijolos, a nossa família e outras crianças da vizinhança nos organizávamos em fila indiana e um passava cada tijolo para o outro até colocá-los no quintal.  Imaginei, agora, que invés de tijolos são livros que alguém doa ao Jorge, que eu compro dele, ou que recebo em doação, passo para algum amigo, que me passa um dinheiro, que vira tijolo e constrói uma casa. 
Livros que se transformam em casa... fiquei tão empolgado com a ideia que ando pensando em continuar transformando livros em outros gestos de solidariedade.   Posso imaginar um projecto e concretizá-lo sem pedir dinheiro aos amigos. Apenas doando parte do meu tempo e lhes vendendo alguma coisa que gostem. 
Depois que a ideia começou a virar realidade, larguei todos os projectos e preocupações com decoração do apartamento. Virou uma "livraria".
Cataloguei os livros.  Coloquei um preço mais barato que em qualquer sebo. Mas, faltava o passo seguinte: falar com os amigos.
Resolvi, então, escrever esse texto, primeira flor atirada no lago da solidariedade.  Da receptividade que receber, com as sugestões ou mesmo desaprovações que vieram, vou aperfeiçoando o projecto. A minha ideia é disponibilizar as listas que fiz no Excel, por e-mail.  Quem se interessar, manda uma mensagem e a gente combina a entrega.   
Um primeiro fruto é certo: propor ideias construtivas aproxima os amigos,  fortalece laços.  E são esses laços que trazem mais prazer e alegria à vida.  E são ideias de solidariedade que nos animam a ter esperança em nosso potencial de construir uma vida melhor.
Um abraço,
Aldo Cordeiro.
Rio, 2006.

NOTA: E assim se foi concretizando um sonho que começou com uma simples ideia.

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LauraBM às 22:58

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