Poema-Companheiro esquecido

casal_word.gifEsqueceste-te de ler os meus poemas.
Esqueceste de apoiar a minha arte.
Agora, quando o corpo está presente,
o espírito viajou pra qualquer parte.

Jogos de bola, tu vês sem parar,
colado no sofá e na TV.
Sem ver que a poetisa vai escapar
de quem, jornais da bola, apenas lê.

Aquilo que dissemos, um ao outro,
era bonito. Posso escrever num papel.
Mas transportá-lo para o dia a dia ...
Tenho vontade de devolver-te o anel!

É certo que eu fiquei insuportável!
Verdade! Nada temos em comum!
Juntámo-nos e a disparidade
ressalta, no feitio de cada um.

Ecoam palavras desagradáveis.
Eu choro pelos cantos, infeliz.
Tu sais, para o trabalho, imperturbável ...
Se nunca me matei, foi por um triz!

Vives na lua. Vives apressado.
Não ouves nada, do que eu quero dizer. 
Falar contigo, igual a estar calado.
Vivemos juntos! Pra quê, posso saber?

Mas, isso, tem assim tanta importância?
Perguntas-me. E eu estou tão arreliada
de te ouvir dizer sempre a mesma coisa,
anos a fio... repara:- Estou cansada!

São coisas mínimas, são só bagatelas.
Pra ti são zero; pra mim são milhares delas.
Observa:- O amor é feito assim:            
coisas pequenas, mas tão grandes pra mim!

Tudo que sofro, redunda num poema.
Mas, até nisso, tu queres pôr um final.
- Não fica bem! Fizeste disso um lema.
Parece mal! Parece mal! Parece mal!
------------------------
11/2000
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958

* TAGS = Temas do blog (Clique em cima):
LauraBM às 18:14